Moeda Digital Brasileira enfrenta reviravolta técnica, mas BC garante aceleração para implementação de uma nova e mais eficiente infraestrutura.

Rio de Janeiro (RJ) — 13 de novembro de 2025 — O Banco Central do Brasil (BC) anunciou uma reviravolta técnica significativa em seu projeto de Moeda Digital de Banco Central (CBDC), o Drex, ao admitir que a tecnologia inicialmente estudada para a plataforma se mostrou inviável. A decisão, revelada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, sinaliza um recuo estratégico, mas com a promessa de acelerar o lançamento de uma infraestrutura substituta que garantirá maior eficiência e segurança nas transações digitais no país.
Contexto e Origem do Fato
O projeto Drex (Digital, Real, Eletrônico e ‘X’ de inovação), antes conhecido como Real Digital, foi concebido em 2020 para ser a representação digital da moeda soberana brasileira, com paridade de 1 para 1 com o Real físico (R$ 1 = 1 Drex). Seu principal objetivo é modernizar o sistema financeiro nacional, viabilizando a “tokenização” de ativos e a criação de contratos inteligentes (smart contracts) de forma segura e regulamentada. O tema é crucial, pois posiciona o Brasil na vanguarda das inovações financeiras globais, ao lado de outras grandes economias que exploram as CBDCs.
O anúncio da inviabilidade da tecnologia testada surge após longas fases de estudos e testes, envolvendo instituições financeiras parceiras, revelando desafios técnicos complexos, possivelmente ligados à escalabilidade, interoperabilidade ou ao modelo de Distributed Ledger Technology (DLT) adotado, que não atendeu às exigências de um sistema financeiro da dimensão do brasileiro.
Detalhes da Ação, Investigação ou Evento
A declaração do presidente do BC foi direta: a tecnologia em análise não se mostrou sustentável para os objetivos do projeto, principalmente na complexidade das transações que envolvem a liquidação de ativos e o uso de contratos inteligentes. Embora o Banco Central não tenha detalhado o problema técnico específico, a medida drástica de recuar sugere um impedimento fundamental na arquitetura da plataforma.
A investigação do próprio BC demonstrou a necessidade de uma mudança de rumo. O foco agora é desenvolver uma nova infraestrutura que, segundo Galípolo, permitirá que a capacidade de uso dos recursos do Drex chegue ao público de forma mais rápida do que antes. A expectativa é que essa nova plataforma mantenha as premissas de segurança, privacidade e integração com o Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas com uma base tecnológica mais robusta e eficiente para lidar com o volume e a complexidade das operações.
Análises, Especialistas e Vozes da Comunidade
Especialistas em tecnologia financeira (fintech) e blockchain no Brasil e em São Paulo (SP) veem a decisão como um ato de responsabilidade técnica e transparência. “É melhor recuar agora e garantir uma solução sólida, do que lançar um produto que possa comprometer a estabilidade do sistema financeiro. O BC demonstra maturidade ao admitir a falha tecnológica,” analisa a Dra. Ana Lúcia Meireles, economista e consultora em ativos digitais.
A comunidade bancária e os parceiros do projeto, como grandes bancos e fintechs, aguardam ansiosamente os detalhes da nova arquitetura. O receio é que o atraso na implementação do Drex possa frear a inovação em tokenização de ativos, como títulos públicos e imobiliários, que dependem diretamente dessa infraestrutura para otimizar custos e agilizar processos burocráticos. A inclusão financeira, uma das metas centrais do projeto, também está em foco, pois o Drex visa atingir a população desbancarizada com novos produtos e serviços digitais.
Repercussão e Próximos Passos
A repercussão imediata nos mercados de capitais e na tecnologia foi de cautela, mas sem pânico, dada a garantia do BC de manter o projeto e acelerar a nova implementação. O impacto político é limitado, uma vez que a decisão se baseia em critérios técnicos e não em mudanças de política monetária.
O BC não estipulou uma nova data de lançamento para o Drex, mas assegurou que o novo cronograma será divulgado em breve, após a definição da infraestrutura substituta. Os próximos passos incluem a seleção e o desenvolvimento da nova tecnologia, que deve priorizar a eficiência na liquidação bruta em tempo real (LBTR) e a garantia de contratos inteligentes invioláveis, buscando integrar de forma fluida o projeto com o Open Finance e o Pix. A vigilância dos consumidores e do mercado se concentra na manutenção da paridade 1:1 e nas garantias de segurança e privacidade.
O recuo técnico do Banco Central no projeto Drex marca um momento de inflexão, mas reforça o compromisso da autoridade monetária em entregar uma Moeda Digital de Banco Central (CBDC) segura e funcional. Ao descartar uma arquitetura inviável, o BC pavimenta o caminho para uma solução mais eficiente, essencial para o futuro dos serviços financeiros, a tokenização de ativos e a modernização da economia digital no Brasil. A população e o mercado financeiro aguardam agora o anúncio da nova tecnologia que definirá o formato do dinheiro eletrônico brasileiro nos próximos anos.